A Gestão de Risco indo por água abaixo

Nas aulas básicas de geografia aprendemos que o Brasil é um país continental. Possuímos uma extensão tão grande que caberiam nações imensas como a Índia e Austrália. O que poderia ser esperado quando temos uma das maiores reservas de recursos naturais que vão do petróleo, ao ferro e em especial a nossas bacias hidrográficas?

Em janeiro de 2013 vivemos novamente o drama das enchentes que devastam cidades como Xerém, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense e parece uma piada de mau gosto que o nível médio dos reservatórios no Sul e Sudeste, que correspondem por 70% da capacidade de produção de energia hidrelétrica no país, tenha descido a capacidade de 28,54% que é considerado como pré-racionamento de energia.

Contraste entre Xerem-RJ e a queda na capacidade das hidroelétricas
Contraste entre Xerém-RJ e a queda na capacidade das hidroelétricas.

É terrível cair novamente no chavão “Esse é o país que vai sediar a Copa”, mas é impossível não sentir um gosto amargo quando vemos o descaso com que governantes tratam nossa infraestrutura básica e comprometem áreas essenciais não se resumindo apenas a produção elétrica, mas também segmentos como transporte e saúde.

Quebrando o ciclo vicioso

Infelizmente este tipo de acontecimento não é de forma alguma uma novidade. No inicio da década passada registramos um índice praticamente igual. Em dezembro de 2000 a capacidade de nossos reservatórios eram 28,52% e em janeiro de 2001 o racionamento foi decretado pelo Governo.

O fantasma do racionamento
O fantasma do racionamento

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico tem uma reunião marcada para esta quarta (09/01/2013) onde é provável que adotem como solução paliativa o aumento no uso de energia gerada por térmicas, que além de mais cara para o consumidor, fazem uso de materiais como óleo, gás e carvão que produzem bem mais poluição. Em outras palavras, vamos pagar mais, ter um impacto maior no meio ambiente e ainda assim o problema não será solucionado de forma definitiva.

Enquanto o governo garante que a situação não é preocupante e cheguemos ao ponto onde nossa Presidente Dilma declarou ser “ridículo” dizer que o Brasil corra risco de racionamento, é notório que precisamos buscar soluções que sirvam mais do que pura e simplesmente como tapa buraco.

Dilma: "é ridículo dizer que o país corre risco de racionamento"
Dilma: “é ridículo dizer que o país corre risco de racionamento”

A última década mostrou que nosso país está cada vez mais maduro em um contexto internacional, atraímos os holofotes e olhos do mundo, vamos sediar nos próximos anos eventos em uma escala global. Chegamos na hora onde é necessário adotar uma postura cada vez mais estratégica se quisermos garantir esse crescimento.

Não existe um Deux Ex Machina para apresentar uma solução mágica, mas começar a adotar de forma séria disciplinas como a Gestão de Risco em áreas básicas é um passo essencial para qualquer nação que deseja crescer de forma sustentável e segura. Enquanto não fizermos isso, bem, pelo menos jantar a luz de velas ainda é algo romântico.

O Plano de Continuidade
O Plano de Continuidade