Incêndio na Cidade do Samba e a GCN: Quando vamos tomar uma postura pró-ativa?

Um incêndio atingiu Cidade do Samba na manhã desta segunda-feira (7), na área portuária do Rio de Janeiro, afetando pelo menos quatro barracões das escolas de samba União da Ilha, Portela, e Grande Rio, e também o da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba).

Conforme os bombeiros foi um incêndio de grandes proporções, difícil por conta do material existente, produzindo grande quantidade de fogo e de fumaça de maneira muito rápida.

Fumaça sobre o Rio de Janeiro - Foto: Alex C. Ribeiro/Futura Press
Fumaça sobre o Rio de Janeiro - Foto: Alex C. Ribeiro/Futura Press

O Carnaval que virou cinzas

Dos barracões atingidos, à destruição foi maior no barracão da escola Grande Rio.

“A situação é de catástrofe total. Nosso carnaval virou cinza. Ele estava 90% pronto”, disse à Reuters Avelino Ribeiro, funcionário da Grande Rio.

O incêndio ocorre a um mês do Carnaval, marcado para o início de março.

Um erro que se repete

A ocorrência de um incêndio é um risco que organizações estão sujeitas e nem sempre preparadas para lidar corretamente. Ainda é comum encontrar empresas que empregam e acreditam que recursos mínimos, como um extintor de incêndio, podem prevenir o desastre.

Similar ao caso da Cidade do Samba, em agosto de 2010 um incêndio atingiu um depósito de material bélico da Secretaria de Defesa Social no centro de Recife causando distúrbios no transporte público, evacuação das áreas próximas e disparos acidentais feitos por munição armazenada no local.

Incêndio em depósito de material bélico da Secretaria de Defesa Social de Recife - Foto: Allan Saito/especial para o JC Online
Incêndio em depósito de material bélico da Secretaria de Defesa Social de Recife - Foto: Allan Saito/especial para o JC Online

Os impactos ocasionados por um evento desta magnitude são muito mais abrangentes do que a perda financeira representada pelos danos à estrutura física da organização afetada.

“A gente trabalha, trabalha, um ano inteiro de trabalho, para tudo virar cinzas. O Carnaval estava praticamente pronto, faltavam umas pinturinhas, as roupas já estavam finalizadas. Perda total” declarou um dos fundadores da Grande Rio. Faltando apenas um mês para o carnaval, é quase impossível recuperar o trabalho.

Quando pensamos no tratamento de desastres, independente do segmento da organização, sempre devemos pensar no cenário de “pior caso”. Infelizmente a lei de Murphy parece estar correta: “Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.”

Em uma empresa onde trabalhei vivi pessoalmente uma experiência bastante dramática quando um consultor executou um script mal elaborado que destruiu todo o banco de da folha de pagamento. Obviamente era a semana do fechamento contábil.

Mesmo sendo um desastre de menores proporções o impacto foi razoavelmente severo. Perdemos 12 dias de informações e o retrabalhou 5 dias de esforço intenso tanto da equipe técnica como do pessoal do RH.

Mesmo após esse esforço hercúleo, o salário de aproximadamente 5000 pessoas atrasou por uma semana – o primeiro atraso da empresa em toda sua história – e um prejuízo de aproximadamente R$ 80.000,00 em termos de horas extras.

Prevenir ainda é a melhor solução

Um incêndio que sai do controle pode atingir proporções desastrosas, afetando serviços públicos, como comunicação e transporte, ou processos e a produtividade das empresas na região circunvizinha, neste caso o Aeroporto Santos Dumont interrompeu os vôos apenas por alguns minutos, porém todo o trânsito no entorno foi interrompido, dificultando o acesso de motoristas ao centro da capital fluminense.

Similarmente, o incêndio de Recife ocorreu próximo a um dos maiores Pólos Médicos da região. Em especial, tanto o fogo, a fumaça e o disparo acidental de munição trouxeram riscos reais de pânico e perda de vidas humanas.

Prevenir ainda é a melhor solução. Se nem todo acidente pode ser prevenido, é fato que seu impacto pode ser reduzido a níveis aceitáveis. Existem diversas metodologias e normas, como a ABNT NBR 15999 e a BS 25999, que apóiam organizações a se preparar para lidar com eventos críticos, seja prevenindo sua ocorrência ou garantindo que seu impacto na continuidade dos negócios será minimizado.

Sair do modo reativo é literalmente deixar de “apagar incêndios” e passar a  pensar estrategicamente e agir de forma sistematica . Essa mudança pode ser a diferença na hora de salvar o negócio, sua reputação, vidas humanas ou ver seu carnaval virar cinzas.

Fontes:

UOL: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/02/07/incendio-na-cidade-do-samba-no-rio-ja-esta-sob-controle-segundo-bombeiros.jhtm

JC Online: http://jc.uol.com.br/canal/cotidiano/grande-recife/noticia/2010/09/15/incendio-atinge-galpao-da-sds-na-joana-bezerra-236442.php

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